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Património Mundial

Cidade Fronteiriça e de Guarnição de Elvas e suas Fortificações

Descrição

O Castelo de Elvas data do reinado de D. Sancho II e assenta sobre uma estrutura muçulmana, da qual ainda se conservam duas cinturas de muralhas. A cidade foi tomada aos mouros, sucessivamente em 1166 e 1220, mas só em 1226 o castelo foi definitivamente conquistado, imediatamente reedificado e concluído em 1228.

No reinado de D. Dinis introduziram-se algumas inovações ao nível das coberturas e outros elementos de apoio, como os torreões e os matacães. Nos séculos seguintes, D. João II e D. Manuel I adaptaram o castelo rumo a um novo sistema abaluartado, de gosto renascentista, ao mesmo tempo que todo o conjunto assumiu um carácter mais residencial, a cargo dos alcaides da cidade.

Com a grande reforma militar de meados do século XVII, o Castelo de Elvas passará a ser um dos mais notáveis conjuntos abaluartados da Europa, devido à premência da defesa em pleno ciclo de guerras de fronteira (1641-1668). A obra encontra-se atribuída ao engenheiro Padre Cosmander e a outros mestres, que para o efeito foram chamados à corte portuguesa por D. João IV e D. Afonso VI. Destaca-se, desta campanha, o complexo sistema de muralhas, revelins, fossos, bem como duas fortalezas secundárias, as de Santa Luzia e da Graça.

Ao longo do século XVII, XVIII e XIX Elvas sofre modernizações constantes do seu recinto amuralhado constituindo-se num enorme campo entrincheirado.

Apesar das grandes transformações sofridas ao longo da História, o Castelo de Elvas mantém a sua estrutura militar medieval e é reconhecidamente um dos mais importantes casos de sobreposição de funções e de evolução das concepções estratégico e militares ao longo da História onde claramente foram aplicadas os melhores conhecimentos práticos e teóricos.

A candidatura das Fortificações de Elvas a Património Mundial da UNESCO pretende valorizar o património, predominantemente militar, existente, testemunho exemplar das condições de uma terra de fronteira.

Da função militar derivam, fruto da violência e agressão fronteiriça, acentuadas em tempos de conflito armado, uma série de componentes e de matrizes que transformam Elvas, de forma continuada e evolutiva, numa cidade com função defensiva predominante e que a convertem numa notável cidade fortificada.

A leitura histórica dos vários sistemas militares defensivos, presentes no conjunto das estruturas edificadas e no desenho da própria cidade, impõem a valorização não de uma época mas de um processo sistémico e erudito, de base arquitectónica, urbanística e militar.

Não obstante o carácter militar defensivo, Elvas mantém uma forte ligação às actividades agrícolas, impondo ao modelo urbano, decorrente dos imperativos militares, ligações à terra e com uma identidade ainda próxima de aglomerados rurais. Elvas possui ainda uma função de centro reactor, tanto em tempo de paz como em tempo de guerra, que a converteu numa capital da região e da qual derivou uma função administrativa, plasmada em numerosos edifícios e conjuntos administrativos de valioso interesse arquitectónico, na representatividade de alguns edifícios civis, de notáveis características arquitectónicas, e de um conjunto vasto e coerente de edifícios de acompanhamento.

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