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Património Mundial

Ilha de Moçambique

Descrição

A Ilha de Moçambique, localizada na costa oriental africana e banhada pelo Oceano Índico, constituiu, nos séculos XV e XVI, um importante ponto estratégico na rota comercial portuguesa para a Índia.
Nos finais do século XVI, as duas fortalezas, o hospital, as diversas igrejas e as casas religiosas atestavam a importância que a ilha tinha adquirido.
O século XVII constituiu, na história da Ilha de Moçambique, uma época atribulada. Tendo os holandeses percebido a importância estratégica daquele território, operaram várias investidas e tentativas de ocupação, entre as quais se incluem os cercos de 1607 e 1608, que causaram enormes prejuízos na cidade. Foi também neste período que ali se instalaram os jesuítas, e que se deu início ao comércio de exportação de escravos para o Brasil.
No século XIX, a Ilha de Moçambique decresce em importância. Centrada no comércio de escravos, factos como a independência do Brasil em 1822, e a abolição da escravatura em 1837, contribuíram para a sua decadência. Como resultado, em meados do século XIX, a Ilha é aberta à população negra e uma divisória natural atribui ao espaço uma característica original: de um lado a cidade de pedra e cal, com os remanescentes testemunhos da presença portuguesa, e do outro lado, a cidade de macúti, construída pelos autóctones com os materiais e técnicas construtivas inerentes à sua cultura.

Da presença portuguesa na Ilha de Moçambique salientam-se obras como a Fortaleza de S. Sebastião, o Forte de S. Lourenço, o Fortim de Santo António, a Capela de Nossa Senhora do Baluarte, o Palácio e a Capela de S. Paulo, a Igreja da Misericórdia, o Convento de S. Domingos, a Igreja de Nossa Senhora da Saúde, o Hospital, entre outros.
A Fortaleza de S. Sebastião, concluída em 1583, tem a configuração de um quadrilátero irregular rematado por quatro baluartes em cada um dos ângulos. Dos baluartes, em forma de orelhão, salienta-se o de S. Gabriel pela sua concepção. Na praça da Fortaleza, estruturada em quadrado, encontram-se a cisterna e a antiga Igreja de S. Sebastião.
O Forte de S. Lourenço, situado num pequeno ilhéu a sul-poente da ponta da Ilha, é acessível a pé na hora de baixa-mar. O seu traçado e estrutura permanecem praticamente intactos graças ao isolamento em que o fortim se encontra.
O Fortim de Santo António, implantado na contra-costa da Ilha, sofreu no século XX uma campanha de restauros que desvirtuou o conjunto arquitectónico.
A Capela de Nossa Senhora do Baluarte foi fundada em 1522 e é tida como único exemplar de arquitectura manuelina existente em Moçambique. Construída no esporão da Ilha, só a ela se tem acesso pelo interior da Fortaleza de S. Sebastião. A capela, de pequenas dimensões, apresenta paredes robustas e cobertura abobadada, rematando os fechos de abóbada com a cruz de Cristo e a esfera armilar. No seu interior encontram-se várias lajes tumulares.
Os actuais Palácio e Capela de S. Paulo correspondem aos edifícios do antigo Colégio e da Igreja de S. Francisco Xavier da Companhia de Jesus, construídos na primeira metade do século XVII. O Palácio foi sucessivamente ampliado e remodelado, tendo sido adaptado a diversas funções ao longo do tempo.
A Igreja da Misericórdia é um dos monumentos históricos mais característicos da Ilha, apresentando frontaria de dois pisos, igreja e coro, e a sua construção é posterior ao incêndio de 1607 provocado pelos holandeses.
A construção primitiva do Convento de S. Domingos remonta à segunda metade do século XVI. Em 1607, durante o cerco holandês, o edifício foi destruído, sendo a actual construção datável do século XVII.
A Igreja de Nossa Senhora da Saúde, fundada no século XVII, sofreu sucessivas reconstruções. Contudo, a sua composição arquitectónica e a interessante inserção no terreno, tornam-na um elemento relevante na estrutura urbana da Ilha.
O Hospital constitui um dos valiosos exemplos de arquitectura civil da Ilha e foi construído nos finais do século XIX.

Outras ligações:
UNESCO - Island of Mozambique

Biografia

A Ilha de Moçambique em Perigo de Desaparecimento, Lisboa, FCG, Agosto de 1983.

Lobato, Alexandre, A Ilha de Moçambique, Lourenço Marques, Imprensa Nacional de Moçambique, 1945.

Lobato, Alexandre, A Ilha de Moçambique (Monografia), Lourenço Marques, Imprensa Nacional de Moçambique, 1945.

Lobato, Alexandre, Ilha de Moçambique, Lisboa, Agência Geral do Ultramar, 1967.

Lobato, Alexandre, Ilha de Moçambique: Panorama Histórico, Lisboa, Agência-Geral do Ultramar, 1967.